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Reportagem Publication logo December 27, 2021

Conferência da ONU Sobre Mudanças Climáticas, Entre Construções e Decisões, uma Perspectiva Jovem Indígena na COP26

Autor(a):
Image by Alberto Cesar.
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Em 2018 e 2019, mais de 30 jovens indígenas participaram das oficinas da agência Amazônia Real, em...

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Quando pensamos em mudanças climáticas, logo pensamos em ciência, cientistas e pesquisadores, Amazônia, imagens dos livros de ensino fundamental e médio de grandes empresas emitindo grandes quantidades de gases de efeito estufa.

E tudo isso está relacionado. Mas o que não vemos é a presença e associação dos povos das florestas com a temática.

Sabe-se que em todo mundo, grande parte da biodiversidade está no seu fim, e que o Brasil concentra a maior floresta tropical do mundo: a Floresta Amazônica, responsável por grande parte da emissão de gás carbônico para a atmosfera. Grande parte da Amazônia corre risco de não existir mais por conta de ações da humanidade.

Sabemos que o Brasil (que antes da invasão europeia em 1500 era 100% terra indígena) tem apenas 13% de seu território demarcado como terra indígena, e dessa porcentagem, 80% se concentram na Amazônia.

Dados científicos mostram que as terras indígenas são os territórios onde mais se têm preservação da biodiversidade e os menores índices de desmatamento. Os povos da floresta, os povos indígenas são os principais guardiões e defensores de toda a biodiversidade por entenderem a terra como parte de um todo, como corpo, espírito de conexão com os sagrados ancestrais.

Com isso, fomos para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), com uma delegação de cerca de 40 lideranças indígenas do Brasil, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, e de seus Biomas e Regiões, como Amazônia: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB; Caatinga e Cerrado: Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo – APOINME; Pampas: Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul – ARPINSUL; Mata Atlântica: Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste – ARPINSUDESTE, Comissão Guarani Yvyrupa e Aty Guasu; e Pantanal: Conselho do Povo Terena.


Parte da delegação de lideranças da Articulação das Mulheres Guerreiras da Ancestralidade. Da esquerda pra direita: Telma Taurepang, Jozi Kaingang, Puyr Tembé, Simone Karipuna, Shorley Krenak. Imagem por Caio Mota/Amazonia Real. Reino Unido, 2021.

Participamos de espaços de construções de ações efetivas de preservação dos biomas de forma justa e igualitária que levassem em consideração o modo de vida e respeitassem as especificidades dos povos indígenas. Vimos o grande protagonismo da juventude indígena com o discurso da jovem indígena do Povo Paiter-Suruí, Txai Suruí, na abertura da COP26, e o protagonismo das mulheres Indígenas da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade – ANMIGA.


Célia Xakriabá, Ana Patte (povo Xokleng) e Sâmela Sateré durante a marcha em Glasgow. Imagem por Edvan Guajajara/Amazonia Real. Reino Unido, 2021.

Participamos ainda na linha de frente da maior mobilização climática a marcha da juventude, que contou com coletivos de jovens na luta e ativismo ambiental como Engajamundo e Greve pelo Clima (Fridays for Future), encabeçado por Greta Thumberg.


Greta e Sâmela em Glasgow. Imagem por Erisvan Guajajara/Amazonia Real. Reino Unido, 2021.

Enquanto jovem indígena, estudante de biologia, participar da COP26 e ajudar a construir debates conjuntos de preservação, mostrando para as pessoas as consequências de suas ações nos territórios indígenas, e que nós, sim, sabemos como manter o bem comum da humanidade que são os biomas, é um protagonismo nato.


No Brazil Climate Action Hub com Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade; Renata Piazzon; Ilona de Carvalho (Instituto Igarapé); Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente. Imagem por Instagram. Reino Unido, 2021.

A presença indígena na COP26 é uma conquista dos povos indígenas, que protagonizam a luta e a defesa pela mãe terra. Vemos muitas pessoas falarem sobre povos indígenas, sobre preservação, mas o mais importante é evidenciar o protagonismo desses povos na luta ambiental.


Sâmela no pavilhão da Cop26. Imagem por Philip Crowther/Amazonia Real. Reino Unido, 2021.

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